O que o Sebrae faz

Após queda no faturamento, empresa de moda infantil aposta no meio digital para se manter no mercado

Desempenho da Caramelo Kids e Teens tem sido satisfatório e empresária não descarta a possibilidade de não retornar para a loja física após a pandemia

Pensando em oferecer o melhor para o cliente, a empresária Caroline Monteiro decidiu entregar os produtos da empresa dela, a loja Caramelo Kids e Teens, de uma forma diferenciada: dentro de uma mala estampada com o colorido da infância e na casa do consumidor. Desde que assumiu o negócio, há quatro anos, a empreendedora tem buscado formas de inovar para atender as necessidades do público e se destacar no mercado. As estratégias adotadas por ela, além de consolidar clientes, fizeram o faturamento da empresa crescer ao longo dos últimos anos, mas a pandemia do novo coronavírus mudou o rumo dessa história.

Com o crescimento da empresa no segmento de moda infantil, a empresária percebeu que o momento era favorável para investir na expansão do negócio, que passaria a funcionar em outro endereço, mas a mudança da loja foi descartada assim que a proprietária se deu conta do impacto que a pandemia iria provocar no negócio dela. “A nossa loja física ficava na Rua Mário de Gusmão e a gente estava com um projeto pronto para ir para um espaço maior, mas, quando a gente iria iniciar o projeto da nova loja, surgiu a pandemia”, relata a empreendedora.

Diante das medidas adotadas pelo poder público para o enfrentamento da Covid-19 em Alagoas, a empresária teve de fechar a loja, interrompendo momentaneamente o atendimento ao público. Neste período, segundo ela, o faturamento da empresa teve uma queda de 80%. “Inicialmente, quando eu vi a real situação, eu achava realmente que a gente não daria continuidade ao negócio, que seria totalmente inviável permanecer daquele jeito, mas aos trancos e barrancos conseguimos nos recuperar, deixando de ter aquele projeto de ampliação da loja para iniciar um novo projeto, que é entrar na área digital”, comenta, aliviada, a proprietária da Caramelo.

Ao se deparar com as dificuldades ocasionadas pela pandemia, Caroline Monteiro percebeu que seria necessário reduzir gastos e, também, mudar o modelo de negócio para garantir a sobrevivência da loja no novo contexto. Além de reduzir a equipe e encerrar as atividades no ponto físico onde a loja funcionava, a empresária também começou a utilizar as redes sociais da empresa para manter o contato com clientes e, consequentemente, realizar as vendas dos produtos.

Superando a crise

Atualmente, a loja Caramelo está realizando atendimento ao público por meio do Instagram e WhatsApp, ferramentas que, de acordo com a empresária, estão garantindo o faturamento da empresa no atual cenário. “Inicialmente, o nosso Instagram e o nosso WhatsApp eram os meios de contato da loja com o cliente, eram utilizados para apresentar os nossos produtos, mas acabaram se tornando os nossos meios de venda e começaram a crescer. Se a gente não se encaixasse nesse universo digital, a gente iria ficar para trás”, afirma a empreendedora.

A proprietária da loja Caramelo relata que o desempenho da empresa no meio digital tem sido satisfatório e que, por esse motivo, não descarta a possibilidade de não retornar para a loja física. “A gente estava construindo um ponto físico três vezes maior, mas hoje esse não é o nosso foco. Para mim, é muito mais viável partir para uma plataforma onde as pessoas tenham a comodidade de receber o produto em casa. A pandemia foi um impacto grande e acredito que esse costume (o de fazer compras online) vai perdurar”, defende.

“As pessoas que ainda não compravam pela internet vão começar a comprar e isso vai se tornar hábito. Com a pandemia, a gente mudou o nosso pensamento e talvez não volte para o ponto físico porque tem dado certo no mundo virtual”, acrescenta Caroline. A loja virtual da Caramelo está sendo montada e, em breve, estará disponível para atendimento ao cliente.

Sebrae também faz parte dessa história

Durante a fase de adaptação da empresa ao novo cenário do mercado, a empreendedora Caroline Monteiro recebeu o apoio do Sebrae em Alagoas por meio do Adapte, um programa específico que tem disponibilizado consultorias gratuitas nas áreas de biossegurança, gestão financeira, vendas, posicionamento digital, inovação, design de comunicação visual e propriedade rural ao empresário que está em busca de soluções para enfrentar a crise provocada pela Covid-19.

Nas palavras da empresária, o apoio do Sebrae Alagoas foi fundamental para que a empresa conseguisse se manter ativa em meio à pandemia. “A pandemia pegou todo mundo de surpresa e a gente precisou mudar do dia para a noite. Se a gente não tivesse um parceiro como o Sebrae para nos orientar, eu acho que seria muito mais difícil se reerguer. Muitos empresários estavam totalmente sem norte. Então, esse apoio foi um diferencial grande para muita gente não desistir e enxergar que poderia haver, sim, uma possibilidade de continuar”, ressalta.

Além de participar das consultorias do programa Adapte, a Caramelo foi uma das empresas atendidas pelo Sebraetec, iniciativa do Sebrae que conecta os pequenos negócios a uma ampla rede de prestadores de serviços tecnológicos em todo o país. No entanto, conforme Caroline, a loja tem sido apoiada pela instituição desde quando a empresária assumiu a administração do negócio.

“O Sebrae apoia a nossa empresa desde o começo dela. Desde o planejamento estratégico,  o estudo de viabilidade e as capacitações para colaboradores da loja. Então, a gente pode dizer que o Sebrae é presente na nossa vida e parceiro desde o início. Isso nos ajuda bastante”, relembra a proprietária da Caramelo.

O início

A trajetória de Caroline Monteiro na Caramelo começou há quatro anos, quando a empresária assumiu a administração da empresa, que à época já estava há cinco anos no mercado. Ela conta que sempre pensou em ter o próprio negócio, mas não imaginava que iria atuar no segmento de moda infantil. “Tinha um outro segmento que tínhamos a intenção de entrar, mas no meio do caminho surgiu a oportunidade de adentrar no mundo infantil e confesso que não me arrependo porque gosto muito desse universo”, explica.

A empreendedora relata, ainda, que a falta de experiência no ramo e a grande concorrência foram as principais dificuldades enfrentadas por ela nos primeiros meses como empresária. “Era uma coisa totalmente nova para mim. Eu nunca tinha lidado com esse tipo de comércio e a concorrência era muito grande também. Então, foi muito desafiador. Além disso, a empresa tinha um faturamento bem baixo. Já tinha clientes, mas quando começamos a gente teve de entrar com uma injeção de marketing para tentar recuperar clientes que estavam evadindo para outras lojas”, recorda.

Apesar da pouca experiência, a empresária sabia que seria preciso inovar para que o negócio passasse a atuar de forma mais competitiva no mercado. “A gente precisa buscar um diferencial para sair na frente porque conquistar clientes não é fácil. Eu acho que a concorrência é um dos gargalos para qualquer ramo e, por isso, a gente precisa se destacar de alguma forma”, coloca.