Em Dia de Empreendedorismo Feminino, oficina no MCZ Play 2020 ensina sobre educação financeira

Ítala dos Anjos apresentou dicas práticas para a organização das finanças pessoais e da sua empresa, e que podem ajudar na manutenção dos negócios e, também, da vida pessoal

O empreendedorismo feminino foi o tema central desta quinta-feira (19), terceiro dia do MCZ Play 2020, evento gratuito do Sebrae Alagoas sobre inovação, economia digital, negócios de impacto social e ambiental e que tem programação até o dia 24 de novembro. As empreendedoras puderam participar de várias oficinas. Uma delas falou sobre a importância da Educação Financeira na vida pessoal e, também, das empresas.

A oficina “Educação Financeira na Prática” foi ministrada por Ítala dos Anjos, alagoana, educadora financeira, investidora e criadora da Multiplique Educação Financeira, instituição de ensino voltada ao público feminino.

“Quem é você na fila da riqueza?”. Foi com essa pergunta que a Ítala começou sua fala. “Você construiu sua empresa para deixar o mundo melhor e ser livre. Se ela é monstro que te aprisiona, algo está errado. Você quer realizar seus sonhos, viajar mais, realizar mais coisas, mas muitas vezes, por falta de administração financeira, você transforma isso tudo em um monstro que não te deixa parar de trabalhar”.

Ela traz um dado da Babson College, que mostra que 80% das empresas não prosperam por falta de lucratividade e gestão financeira. “O primeiro ponto é o seguinte: contabilidade é diferente de gestão financeira. Toda parte contábil quem faz é o contador, mas isso não quer dizer que, apesar da contabilidade positiva, a empresa esteja gerando lucro. A gente precisa olhar para isso para além da contabilidade. O contador não é responsável pela gestão financeira”, explica ela.

A gestão das finanças, tanto pessoais quanto da empresa, precisa ser vista como algo sagrado. O dinheiro que seu trabalho produz é fruto da materialização do tempo e da energia sagrados, de acordo com a Ítala. Ao ver o dinheiro dessa forma, passa-se a valorizá-lo um pouco mais.

E do ponto de vista prático, como se pode alcançar esse respeito pelo resultado do esforço diário para que a empresa ande? “Primeiro você deve entender que as finanças da sua empresa são diferentes das suas finanças pessoais. Não misture as coisas. Geralmente as donas dos negócios são as maiores responsáveis pela falência das empresas, por desfalcarem o caixa. Ora, quando a criança nasce não precisa de tempo e dedicação para ela crescer? Com a empresa é a mesma coisa. Quando ela nasce, não temos que colocar o capital social? Os sócios colocam dinheiro para a empresa crescer. Pode ser que você tenha que fazer isso por muito tempo antes de ter lucro. Se a gente começa a empresa sem capital social, o sonho pode ir para o buraco por falta de planejamento”, alerta.

Ítala usa sua escola de educação financeira como exemplo. “Até o primeiro ano e meio da Multiplique, eu nunca tirei R$ 1. Investi muito mais do que R$ 100 mil, que é o que ela me deve, mas não tirei porque quero ter caixa para que a empresa possa se segurar por até dois anos sem precisar vender nada”.

Outro ponto importante apontado por ela é a lucidez. Quem empreende precisa conhecer muito bem sua empresa e, também, os gastos envolvidos para que ela se mantenha aberta. “Qual o custo sagrado ou essencial da empresa? Quais os custos recorrentes, inegociáveis e indispensáveis para que a empresa funcione? Você tem que entender quais os custos da sua empresa, do que você não pode abrir mão nem na pandemia para que ela funcione, o que é indispensável. Coloca isso no papel. Divida as contas anuais, por exemplo, por 12 e depois some todos os custos referentes a um mês. Assim você descobre o ‘custo sagrado’, necessário para que ela funcione todos os meses. Descobrir isso é essencial”, diz.

Ela também fez um alerta: é preciso ter em mente que o que a empresa gera de renda não é seu, mas da própria empresa. “Uma coisa é o dinheiro da empresa, e outra é o seu. Não seja a pessoa que desfalca e rouba a empresa”.

“Descobrir pontos de melhoria”

Ainda segundo Ítala, a partir do momento em que você começa a prestar mais atenção às finanças de sua empresa, pode perceber pontos de melhoria, problemas que precisam de “cura”.

“As finanças da sua empresa não vão se resolver sozinhas. É preciso querer mudar. Dói, causa desconforto, porque você vai enxergar o quanto foi imprudente, o quanto deixou de lado, o quanto você se violou, mas depois disso vem a cura. Uma sugestão: crie dois grupos com você mesma no Whatsapp, um para finanças pessoais e outro para a empresa. Coloque como nome uma meta e uma foto que representa essa conquista. Nesses grupos você inclui tudo o que recebe e tudo o que paga. E uma vez por semana, coloque esses dados em uma planilha, para fazer o gerenciamento cíclico muito mais facilmente”.

Ainda dentro dessa sugestão, ela prossegue: “vá colocando também as compras que for fazendo e o período do seu ciclo menstrual, a lua, que afetam a forma como você gasta. Olhando para sua planilha uma vez por semana, você percebe vários ralos, que estão destinando seu dinheiro para coisas que você não gostaria. A partir daí, você analisa o que pode ser cortado, pausado, adiado, negociado”.

Organização é a palavra-chave

“Empreender não precisa ser uma montanha-russa”, afirma Ítala. “Lembra do orçamento sagrado? É a partir dele que você constrói sua reserva da paz ou seu open doors. Para sua empresa vai ser o ‘open’, que é manter a porta da sua empresa sempre aberta. A ‘reserva da paz’ é uma reserva de emergência. As duas devem ser de 12 ou 24 meses. Por exemplo, se sua empresa gasta R$ 2 mil por mês, essas reservas precisam ser de R$ 24 mil ou R$ 48 mil. Depende do que vai te deixar mais tranquila”.

A reserva de paz e o open doors deixam a empreendedora livre para descansar, viajar ou mesmo investir em sua empresa, inovar, criar, testar novos produtos ou serviços para seus clientes. “Muitas empresas quebraram durante a pandemia porque nunca observaram essas questões. Muitas empresas que tinham isso puderam inovar e crescer durante a pandemia, como aconteceu com a Multiplique. As crises vão continuar acontecendo, e é preciso que tenhamos um solo fértil. Com a reserva da paz, por exemplo, você pode investir para ter mais uma fonte de renda passiva que traz mais segurança”, orienta.

Uma última dica: o melhor investimento é aquele feito com liquidez diária, que pode ser retirado sem que você perca o valor investido. A poupança não é uma opção, pois desvaloriza o dinheiro. “Você precisa da garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garante a manutenção do investimento mesmo que a investidora quebre, e também que seja maior do que 100% do CDI (Certificados de Depósitos Bancários)”.

Ela conclui dizendo que “no Brasil não fomos ensinadas a poupar, principalmente nós, mulheres. Precisamos ressignificar isso, porque senão colocaremos nosso sonho e nosso negócio em risco. Espero que você possa prosperar, crescer sua empresa, que vai fazer nosso mundo melhor e te deixar mais livre”.

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