Políticas Públicas

Sebrae promove oficina gastronômica para merendeiras de Maceió

Foco da capacitação foi a utilização da jaca e outros produtos locais no cardápio da rede pública municipal

Na tarde dessa segunda-feira (09), o Sebrae em Alagoas, em parceria com a Prefeitura de Maceió, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), realizou a Oficina Gastronômica para Merendeiras da Rede Pública de Ensino, em um dos laboratórios do Curso de Nutrição, no Campus A.C. Simões, em Maceió. A oficina teve como objetivo difundir a utilização de alguns produtos da agricultura familiar local na alimentação escolar.    

A oficina foi ministrada por Amanda Marfil, chef e agricultora agroecológica, que mostrou como a jaca pode ser uma opção útil, saborosa e nutritiva para ser servida na merenda escolar, substituindo vários itens. A especialista ensinou receitas como Escondidinho com Jaca Verde, Caldinho de Macaxeira com Jaca e Estrogonofe de Jaca Verde, adaptando-as para a realidade do estado.

“Sei que a jaca é uma fruta bastante abundante aqui, mas ainda é desprezada na alimentação. Essa é uma forma de incentivar o consumo de produtos locais como a jaca, fazendo com que o agricultor familiar consiga fornecer para as escolas e, para além disso, que vejamos nelas um cardápio com uma maior diversificação. Ensinamos receitas que as cozinheiras já fazem, mas utilizando algumas adaptações e inserindo um alimento novo, de qualidade e grande valor nutricional. Espero que elas multipliquem esse conhecimento em suas escolas e se surpreendam com essas novidades”, ressaltou Amanda.  

Uma das cerca de 25 merendeiras presentes foi Raquel Maria, merendeira do setor de Alimentação e Nutrição Escolar (SANE) da Semed, que atendeu as expectativas da chef e realmente ficou surpresa com o conhecimento e as receitas que foram repassadas. “Isso é novidade para nós. Esse beneficiamento da jaca encaixa bem na alimentação escolar e pode até substituir a utilização da soja. Esse trabalho também traz o agricultor para perto da escola. A oficina fez com que a gente enxergasse a jaca como um legume, provando que ela pode ser utilizada em prato salgado tranquilamente. Ainda vi que nada da jaca se perde. O aproveitamento é total e não tem desperdício. A partir da escola, podemos levar essa visão para casa”, pontuou.

De acordo com Luiz Henrique Cavalcanti, analista da Unidade de Políticas Públicas (UPP) do Sebrae em Alagoas, a oficina faz parte do Projeto de Municipalização das Políticas de Desenvolvimento e de Acesso às Compras Públicas, e também visa contribuir com a inserção de agricultores no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O analista também reforçou que a oficina ainda é um piloto, mas a ideia é levar a iniciativa a outros municípios.

“Por meio dessa parceria, queremos criar uma dinâmica maior para a agricultura familiar no estado. Queremos difundir a utilização de mais produtos na alimentação escolar. Nessa etapa, o principal deles será a jaca e suas diversas possibilidades de uso, incrementando receitas, atendendo à questão nutricional e também ao paladar das crianças. A jaca é um produto que podemos encontrar aqui o ano inteiro, e pode ser melhor aproveitado. Isso ainda visa estimular o produtor da agricultura familiar a produzir frutas como a jaca e fornecer para as Prefeituras, inserindo o agricultor nesse cenário e fazendo com que ele atenda demandas do PNAE, o que gera mais emprego e renda no campo e mais oportunidades nesse contexto”, concluiu Luiz Henrique.

Segundo Anna Luna, representante do SANE, da Semed, as merendeiras participantes da oficina irão multiplicar o conhecimento nas 140 escolas da rede municipal, repassando aspectos da segurança e cultura alimentar e a valorização dos agricultores, já que a produção que antes era perdida poderá ser absorvida pela política pública.

“Essas merendeiras já são monitoras da rede e vão multiplicar essa formação para as demais profissionais. Essa primeira oficina tem uma importância muito grande porque vem promover, também, a segurança alimentar e nutricional em Maceió e no estado. A partir do momento em que você valoriza a produção dos agricultores locais, utilizando um novo produto, como a jaca, que tem uma grande produção, mas não tem um escoamento adequado, nós temos a possibilidade de melhorar o cardápio do aluno, na ponta, valorizando qualitativamente a cultura alimentar do estado, além da questão econômica”, finalizou Anna Luna. 

 

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