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Vencedores do Prêmio de Inovação em Economia Circular trazem soluções para cascas do sururu

Projetos vão inserir resíduos da extração do sururu como matéria-prima em diferentes cadeias produtivas

Os sete vencedores do Prêmio de Inovação em Economia Circular levaram a sério a demanda por soluções criativas para a casca do sururu deixada pelas marisqueiras na despinicagem da iguaria tipicamente alagoana, mas que gerava toneladas e toneladas de resíduo. O resultado, anunciado na manhã desta segunda-feira (14), na Prefeitura de Maceió, ainda trouxe outra boa notícia aos campeões na forma de uma mentoria do Sebrae em Alagoas para suas ideias e projetos.

O Prêmio é mais uma das ações do Projeto ‘Maceió Mais Inclusiva através da Economia Circular’, realizado pela Prefeitura de Maceió, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), tendo como parceiros o Sebrae, Braskem, Desenvolve e Universidade Politécnica de Madrid. Os vencedores desta primeira edição foram:

Categoria Empreendedor Individual – Fernanda Monteiro Ferro, com "Projeto da Lama ao Design";

Categoria Instituição Pública de Pesquisa – Instituto Federal de Alagoas (IFAL) - Campus Marechal Deodoro, com a proposta "Avaliação da utilização de cálcio extraido em conchas de moluscos bivalves para nutrição de tilápias", e Profª Drª Janaína Accardi Junkes, do Centro Universitário Tiradentes, com "Concha de sururu como matéria-prima alternativa na fabricação de tijolos solo-cimento”;

Categoria Iniciativa Privada – Escola Sesi Industrial Abelardo Lopes, com "ECOSURURU: Construindo e Reutilizando", e AKY Estofados, com "InovAky - Sururu Criativo";

Categoria Organização de Sociedade Civil – Instituto para o Desenvolvimento de Alagoas (IDEAL), com "Rede Reciclagem", e Instituto Mandaver, com "Mercado social do Vergel do Lago e criação de moeda social - suporte".

O prazo para implementação dos projetos é de doze meses, nos quais eles terão apoio adicional do Sebrae com metodologia especializada na área de gestão de negócios. “Vamos acompanhar a implantação dos projetos vencedores em todos os passos, desde o planejamento à parte de acesso a mercado e ao crédito, se necessário, pois esse prêmio serve como uma alavancagem para se iniciar um negócio e isso demanda toda uma estrutura por parte dos empreendedores”, defendeu Fátima Aguiar, gerente da Unidade de Atendimento Empresarial (UAE) do Sebrae em Alagoas.

O prefeito Rui Palmeira demonstrou sua satisfação com o resultado do prêmio ao apontar que os vencedores ofereciam alternativas que se complementam na economia circular para acabar com um problema social e ambiental muito grave.

“Temos uma série de projetos que podem sobretudo gerar renda para as marisqueiras, livrar a cidade de um grande problema que é o resíduo da casa do sururu, são toneladas tiradas semanalmente da região lagunar, e também projetos que podem baratear para a própria prefeitura algumas questões relativas à construção”, afirmou.

Cada vencedor vai receber entre R$ 15 mil e R$ 30 mil, dependendo da categoria, para implementar sua ideia ou projeto. Uma diferenciação importante neste prêmio, de acordo com Jannyne Barbosa, coordenadora técnica do IABS, ao conceder os recursos para pôr as ideias em prática. 

“Isso tudo complementa algumas ideias que já foram identificadas no projeto de quais cadeias produtivas podem utilizar os resíduos do sururu. A partir de agora, faremos uma oficina de integração entre as iniciativas, justamente por elas terem um perfil bem complementar, e fazer um cronograma único porque boa parte delas envolve capacitação da comunidade e precisamos ver como organizar isso da melhor forma”, informou Jannyne.

Manuel da Silva, empresário da AKY Estofados, não vê a hora de colocar a mão na massa. Conhecido por suas poltronas e móveis que incorporam elementos da cultura alagoana, como o bordado filé e o couro de tilápia, ele submeteu um projeto duplamente sustentável a este edital. “Queremos fazer uma poltrona, um vaso decorativo e um quadro de paisagem sobre a convivência com a lagoa. Vamos criar essas peças usando a casca do sururu e o resíduo da minha produção, que também é considerável”, revelou.

Porém não é só a possibilidade de ter novos produtos exclusivos que encantou Manuel durante a premiação. “Vendo os outros projetos vencedores, vejo que as ideias se completam – um quer fazer um tijolo, outro a telha, tem os jogos americanos e decoração. Acho que podemos conversar e trabalhar juntos, como por exemplo na capacitação do pessoal do Vergel e informação para acessarem as feiras alternativas de artesanato que temos na cidade”, sugeriu o empresário.

Sobre o projeto

O ‘Maceió Mais Inclusiva através da Economia Circular’ foi estruturado como um projeto de valorização das cadeias tradicionais do sururu e da pesca artesanal, com o aumento do valor agregado dos pescados, reaproveitamento dos resíduos como insumos em novas cadeias produtivas, geração de emprego e renda e diminuição do impacto sobre o meio ambiente local. O projeto é uma parceria entre a Prefeitura de Maceió, a Prefeitura de Maceió, por meio da Secretaria Municipal de Turismo (SEMTUR), Secretaria Municipal do Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária (SEMTABES), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (SEDET), Secretaria Municipal de Governo (SMG), Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (SLUM), e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), através do Fundo Multilateral de Investimento (Fumin), sendo executado pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) com o apoio da Braskem, Agência de Fomento de Alagoas - Desenvolve, Sebrae em Alagoas e a Universidade Politécnica de Madrid (UPM).

 

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